Programa Farra nas Férias também reflete sobre diversidade

Colônia de férias da Faculdade de Educação Física incluiu jogos indígenas nas atividades



| Autor Patrícia Lauretti | Fotos Antonio Perri | Edição de imagem Paulo Cavalheri

 

Slackline na Praça da Paz é uma das atividades do início do Farra nas Férias

 

Em fevereiro quase 70 indígenas deverão estar na Unicamp para a confirmação da matrícula nos cursos em que foram aprovados no primeiro vestibular específico para os povos indígenas realizado pela Universidade. 2019 também será o ano em que um número maior de estudantes cotistas ou vindos de outros países vai circular pelo campus, mostrando que a universidade é lugar de diversidade. As crianças que frequentam os programas educativos da Unicamp já começaram a refletir sobre essa nova realidade. O programa Farra nas Férias incluiu este ano jogos indígenas e de base africana na programação das atividades de janeiro. Além disso uma pessoa refugiada deverá participar, contando sobre sua trajetória para a molecada.

Realizado desde 2007 o “Farra” é na realidade um projeto de extensão voltado para filhos de funcionários e coordenado atualmente pela professora Olívia Cristina Ferreira Ribeiro. O objetivo, afirma a docente, é oferecer uma programação diversificada e diferente do que a criança já faz no cotidiano do Programa de Desenvolvimento e Integração da Criança e do Adolescente – Prodecad. O tema deste ano é “Jogar, Brincar, Recordar e Celebrar”. Podem participar crianças entre 6 e 12 anos matriculadas na escola estadual Sérgio Porto, que fica dentro da Unicamp, e que passam meio período no Prodecad em atividades complementares. As atividades de férias seguem até dia 31 de janeiro.

 

A coordenadora do programa, professora Olívia Ribeiro

 

Ana Júlia participa todos os anos do Farra nas Férias

 

A professora Olívia destaca que o projeto é financiado pelo GGBS – Grupo Gestor de Benefícios Sociais da Unicamp e há ainda uma relação com a pesquisa e o ensino. “Atuam estudantes de educação física como coordenadores ou monitores e os que recebem bolsas têm que pensar em atividades para o programa. Temos inclusive uma aluna interessada em fazer um trabalho de conclusão de curso utilizando a experiência do Farra nas Férias”, disse. No ano passado a docente já apresentou um trabalho sobre o programa no Congresso Mundial de Lazer, em São Paulo.

“Eu vejo que aqui o pessoal constrói uma história. Algumas crianças estão vindo desde que entrei para trabalhar no programa, há três anos”, comenta Gustavo Alves da Silva, um dos coordenadores das semanas de férias e aluno do quinto ano de graduação em educação física. “O começo do programa já é uma data marcada na agendinha deles”.

É o caso da dupla Ana Júlia Amaral Elói e Gabriel Floriano Matias, ambos com nove anos. Ana nunca se esqueceu do dia em que visitou a “Fazenda do Chocolate” em Itu, junto com o grupo do Farra. Agora está adorando brincar de “canibal” ou de esconder a rainha.

“Fiquei contando os dias para chegar (o Farra) mas só vou poder ficar até o dia 17”, lamentou Gabriel. Ele diz que fez novas amizades no programa e explica que ninguém fica sozinho. “Se chega alguém novo a gente fica junto com a pessoa”.

 

Gabriel é outro veterano do programa: "contando os dias para o começo"

 

Outras novidades do programa este ano são a volta do acampamento noturno, quando as crianças dormem uma noite na FEF, e ainda a inclusão de mais passeios. Olívia Ribeiro destaca que as crianças ainda irão ao Sesc de Campinas, farão visitas à Mata Santa Genebra e ao Museu Catavento em São Paulo. O grupo também vai ao cinema com direito a muita pipoca.

O programa é realizado em parceria com o Restaurante Universitário, que oferece café da manhã, lanche e almoço e também com o espaço cultural da Casa do Lago, onde são realizadas várias atividades.